Chapada Diamantina com Crianças

Se você está em busca de aventura, natureza e cultura em um destino brasileiro que encanta adultos e crianças, a Chapada Diamantina é a escolha perfeita!

Recentemente, fiz um roteiro completo de 8 dias pela região com minha família, e posso dizer que foi uma experiência mágica. Compartilho aqui nosso dia a dia um resumão com a nossa jornada de aventura com dicas práticas e como aproveitar cada momento com os pequenos!

Chapada Diamantina com crianças

Dia 1: Chegada em Lençóis – Ajustando o Ritmo

O aeroporto de Lençóis é pequeno e o traslado para a cidade é rápido (20 km). Escolhemos nos hospedar no Hotel Canto das Águas pela localização central e pelos quartos familiares e super confortáveis.

Chapada Diamantina: Hotel Canto das Águas
Hotel Canto das Águas

Dia 2: Cachoeira do Mosquito + Morro do Pai Inácio

Cachoeira do Mosquito

Cachoeira do Mosquito Chapada Diamantina
Cachoeira do Mosquito

No primeiro dia de aventura, fomos à Fazenda Mosquito para conhecer a lindíssima cachoeira do Mosquito, com vista por cima e por baixo.

Dica para quem vai com crianças: A trilha de 2 km tem pedras soltas – fique de olho nos passos dos pequenos. A área debaixo da cachoeira é segura para banho, mas a correnteza é forte perto da queda.

No nosso roteiro, o almoço estava incluso: uma deliciosa comida caseira no restaurante da fazenda, ótimo para repor energias! 

Morro do Pai Inácio

File:Morro do pai inacio.jpg
Morro do Pai Inácio

Após o almoço, partimos para o Morro do Pai Inácio, com uma caminhada até o topo do morro para contemplar a vista. A subida é íngreme, de 1,2 km exige paciência. As crianças costumam acelerar, mas lembre-os de esperar o grupo e hidratar-se. A vista panorâmica no topo é imperdível para fotos (e para gastar a energia acumulada). Depois desse passeio, retornamos para o hotel no final da tarde.

Dica da mamãe viajante: Tênis com solado aderente é essencial – evite chinelos que soltem fácil.

Dia 3: Marimbus + Rio Roncador

No nosso terceiro dia de roteiro, rumamos para o Povoado do Remanso (12 km) onde remadores e moradores locais, nos aguardam para um tranquilo passeio de canoa pela região do Marimbus. 

Marimbus (passeio de canoa)

Marimbus Iraquara
Marimbus

A região dos Marimbus, também conhecida como o mini pantanal da Chapada Diamantina, está localizada na Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara. Os Marimbus são formados pelo encontro de vários rios e, pelo fato de a região estar em baixa altitude, o local permanece sempre alagado.

Para as crianças, o engajamento é garantido: as crianças adoram ajudar os remadores locais (deixe que segurem os remos sob supervisão). Áreas alagadas têm vegetação densa – mantenha-os sentados para evitar quedas. E muito importante: levar repelente!

Rio Roncador

Rio Roncador - Chapada Diamantina-BA
Rio Roncador

O rio Roncador desce da Serra do Sincorá e deixa pelo caminho um rastro de piscinas naturais, rasas e ideais para crianças! Essas pequenas cachoeiras são emolduradas por um conjunto de pedras polidas e em tons de rosa, formando um cenário de tirar o fôlego! Deixe que as kids explorem as pedras, mas atenção aos trechos escorregadios!

Dica da mamãe viajante: Leve sacolas plásticas para roupas molhadas – as crianças dificilmente resistem a entrar na água!

Dia 4: Poço do Diabo + Gruta da Lapa Doce 

Após o café da manhã, partimos em direção às Cachoeiras do Rio Mucugezinho e o Poço do Diabo, que fica a cerca de 18km de carro de Lençóis.

Poço do Diabo

File:Cachoeira do Diabo.jpg

A partir da entrada, uma caminhada leve nos leva aos principais atrativos do local. A trilha é fácil: 1 km bem sinalizado, mas com pedras irregulares. As kids podem querer correr – combine um “ritmo de exploração” (como por exemplo, procurar insetos ou formas nas rochas). Dali, a próxima parada foi no restaurante Lila Orquidário para o almoço.

Gruta da Lapa Doce

Gruta Lapa Doce, Chapada Diamantina

Na segunda parte do roteiro, conhecemos parte de um dos mais importantes sistemas de cavernas da região, a Gruta da Lapa Doce. Para os curiosos: Leve lanternas (ou use a do celular) para que iluminem estalactites. O guia explica formações geológicas de forma simples – ótimo para despertar interesse científico. As grutas têm pisos úmidos, então nada de correr ou pular por ali.

Dali, para fechar o dia no retorno a Lençóis, fizemos uma parada na Casa Mirante para um fim de tarde especial!

Dia 5: Poço Azul + Poço Encantado

O nosso dia 5 pela Chapada Diamantina começa com o traslado de Lençóis até o Poço Azul (63km no asfalto e 17km de terra).

Poço Azul

Localizado dentro de uma caverna, o Poço Azul possui um lago de águas cristalinas com uma plataforma de madeira para facilitar o acesso ao poço. As luzes dentro do poço mudam de acordo com o deslocamento do sol. O cenário é simplesmente arrebatador, e o mais incrível: o mergulho nas águas cristalinas é liberado por 20 minutos! A água é fria, mas a gente se adapta rápido. Depois, o almoço é no local, com comida caseira.

Poço Encantado

Dali, partimos para o Poço Encantado, em um percurso de 4km de asfalto e 17km de terra de carro.

A gruta é conhecida internacionalmente por sua singular beleza cênica. Estamos falando de um grande lago de cor azul cobalto que recebe raios de sol diretamente sobre a superfície da água, resultando em um efeito visual espetacular. A melhor época de visitação vai de abril a setembro, quando os raios que incidem sobre o poço provocam um efeito de arco de luz. 

Ali não é permitido mergulho, mas o visual hipnotiza até os mais agitados. O tempo de permanência é de 20 minutos – vale combinar com as crianças uma brincadeira de “caça às cores”, observando os tons de azul na água!

Dia 6: Igatu + Projeto Sempre Viva vs. Vinícola UVVA

No dia 6 do nosso roteiro, foi dia de passeio para conhecer os encantos da pitoresca vila de Igatu, conhecida como a nossa Machu Picchu Tupiniquim!

Igatu

Visitamos algumas ruínas do tempo do garimpo – um playground natural para as crianças – e seguimos até a galeria museu Arte Memória, a céu aberto, construída em meio às ruínas de antigas casas de pedra.

A primeira parte do espaço reúne utensílios usados por garimpeiros entre os anos 1930 e 1950, além de fotos e instalações. O segundo ambiente funciona em um bonito jardim, onde estão espalhadas esculturas de artistas contemporâneos feitas de materiais como fibra de vidro, metal, pedra-sabão, cerâmica…

Há ainda espaço para mostras temporárias e um café, onde são servidos cappuccinos e crepes. Também visitamos a Gruna do Brejo para ver como funcionava o garimpo, e ainda demos uma esticada para uma parada na casa do Amarildo, e no famoso bar do seu Guina.

Projeto Sempre Viva (tarde para as crianças):

De lá, as crianças seguem para o projeto Sempre Viva. Localizado a cerca de 10 minutos de Mucugê, o Sempre Viva investe na identificação e preservação da Syngonanthus mucugensis, nome científico da flor que dá nome ao projeto.

Concebido como uma unidade de conservação de ecossistemas da região, esse projeto promove programas de educação ambiental e compartilha informações científicas e curiosidades sobre as espécies, algumas delas ameaçadas de extinção.

No mesmo local, o Museu Vivo do Garimpo mostra que a preservação da sempre viva e a exploração do diamante na região estão historicamente ligadas, rememorando a surgimento de muitas vilas e cidades da Chapada Diamantina, como a própria Mucugê.

Uma boa pedida após a visita é seguir para uma trilha fácil e rápida de 20 minutos até cachoeira da Piabinha, com uma queda d’água que despenca de um paredão, no rio de mesmo nome.

Ela serve de passagem para uma outra cachoeira, a do Tiburtino, localizada no rio Cumbucas, que o recebe com um conjunto de cascatas que desembocam em um poço.

Vinícola UVVA (tarde para adultos):

Já os adultos foram para a Vinícola UVVA viver a Experiência UVVA. O tour completo dura 1h30 e ainda tem mais 30 minutos para degustação. Aproveite o tour enquanto as crianças aprendem sobre a flora local!

Ao longo dessas duas horas, somos guiados por um enólogo que apresenta o projeto da Vinícola UVVA e destaca as particularidades da região e de seu terroir único.

O tour inclui visita aos vinhedos, onde recebemos algumas informações sobre o manejo e também apreciamos toda a arquitetura contemporânea e sustentável, totalmente integrada ao meio ambiente.

A experiência inclui, ainda, a visita à área de vinificação da vinícola, com acesso à área técnica das salas de tanque e cave, e assim conhecemos mais de perto todo o processo de produção. O ponto alto acontece ao final do tour, com a degustação de quatro rótulos, dois brancos e dois tintos.

Dia 7: Cachoeira do Buracão

Após o café, nosso destino foi Ibicoara, localizado ao sul do Parque Nacional num percurso de 80km de asfalto e 28km terra, um total de 2 horas para conhecer a Cachoeira do Buracão: são aproximadamente 100 metros de queda em forma circular e um impressionante cânion sinuoso.

O acesso se dá a partir de uma caminhada de 6km ida e volta com cânions estreitos e passagens molhadas. Nós visitamos tanto por baixo quanto por cima da cachoeira, que é deslumbrante! A recompensa vem com um banho renovador na cachoeira de 100m.

Dica crucial: Calçados com tração são obrigatórios. Se as crianças reclamarem do caminho, incentive-os a contar histórias de “exploradores”. 

Dia 8: Retorno – Dicas para o Aeroporto

Lençóis possui várias lojinhas de artesanato com pedras e cristais – está aí uma ótima opção para lembrancinhas num bom custo x benefício.

Checklist de viagem para quem vai com crianças:

Quando viajo com meus filhos, nunca deixo de ter tudo o que for necessário à mão para casos de emergência, e também para podermos aproveitar os passeios com tranquilidade e sem grandes transtornos!

Em um destino de aventura como a Chapada Diamantina com crianças, então, a atenção deve ser redobrada: não se esqueça estar sempre pronta os kits para crianças que toda família precisa!

  1. Kit básico: Repelente, protetor solar, band-aid, álcool em gel e anti-histamínico.
  2. Roupas: 3 conjuntos por dia (eles vão se sujar).
  3. Entretenimento off-line: Baixe filmes no tablet para os traslados longos (ex: estrada para Buracão).
  4. Alimentação: Snacks proteicos (castanhas, bisnagas) evitam crises de fome em trilhas.

Observação final: A Chapada é segura para crianças, mas exige supervisão constante em cachoeiras e trilhas. Escolha um guia experiente (como os da Venturas Chapada) para ter apoio técnico e garantir que a aventura seja só diversão! 🌞